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“Toda reação alimenta e reforça os elementos do passado histórico em que a revolução desferiu um golpe sem ter conseguido aniquilá-lo” (L. Trotsky)

Promovidas por alguns ativistas como um meio de combater a opressão, as políticas de identidade estão cada vez mais sendo usadas pelo establishment para atacar a esquerda e o movimento operário. Os trabalhadores e a juventude devem contra-atacar com a luta de classes revolucionária.

O ano é 2018. No prestigiado leilão de belas artes da Christie na cidade de Nova York, um retrato borrado de um cavalheiro de terno está pendurado ao lado de uma gravura de Andy Warhol e de uma escultura de bronze de Roy Lichtenstein. É intitulado: “Edmond de Belamy, de La Famille de Belamy”. Um licitante anônimo por telefone compra o retrato por US$ 432.500, contra uma estimativa inicial de US$ 7 mil a US$ 10 mil. Na parte inferior do quadro, em vez de uma assinatura, há uma linha de código. Não foi produzido por mãos humanas, mas por uma inteligência artificial (IA).

A situação política dos Estados Unidos está cada vez mais convulsiva. Pela primeira vez na história do país, acusações criminais foram feitas contra um ex-presidente. O fato de Donald Trump ser o atual favorito para a corrida presidencial pelo Partido Republicano em 2024 aprofunda ainda mais a crise do regime.

O 53º Congresso da CGT [Confederação Geral do Trabalho], realizado no final de março, marcou uma virada na história dessa confederação sindical. Os 942 delegados se dividiram entre a esquerda e a direita, e se enfrentaram durante os quatro dias. Acima de tudo, a ala esquerda parecia mais forte e mais na ofensiva do que nunca, mesmo que a ala direita tenha conseguido manter o controle da direção e colocar um dos seus, Sophie Binet, como secretária-geral.

Outro dia de ação foi realizado na terça-feira (28) para se opor ao podre regime de Emmanuel Macron que, na semana passada, impôs o aumento da idade de aposentadoria francesa. A luta continua forte, evidenciada pelos milhões de pessoas que saíram às ruas. Mas, para que os trabalhadores e a juventude saiam vitoriosos em suas batalhas contra Macron, os velhos e falidos métodos dos dirigentes sindicais não serão suficientes. A seguir, publicamos um balanço da última mobilização feito pelos nossos camaradas da seção francesa da Corrente Marxista Internacional (CMI), Révolution, publicado originalmente no dia 29.

Desde o início do ano, aumentou a frequência das greves na Alemanha. Primeiro os carteiros, depois os funcionários do setor público e agora os ferroviários entraram em ação. As razões para isso são óbvias: a crise econômica, o aumento massivo dos preços e as perdas salariais reais dos últimos anos. Em 27 de março, uma grande greve irá acontecer, organizada pelo Ver.di (o segundo maior sindicato da Alemanha) e pelo sindicato ferroviário e de transporte (EVG). Isso envolverá motoristas de ônibus e trens, bem como trabalhadores de rodovias e aeroportos.

Uma luta mordaz e devastadora erupcionou dentro da classe dominante israelense. Faz apenas poucos meses que Benjamin “Bibi” Netanyahu retornou ao seu posto, e ele está determinado a forçar o Knesset [Parlamento] de Israel a aprovar uma série de reformas judiciais. Ao fazer isso, ele enfureceu a maioria dos grandes capitalistas, que, por sua vez, tomaram a medida inusitada de impulsionar mobilizações com enormes multidões nas ruas. Quando a classe dominante parte para um conflito aberto dessa forma, ela carrega, consigo, o perigo de derrubar a farsa que em tempos “normais” dissimula o real funcionamento de seu domínio. O conflito presente não é uma exceção.

A manifestação em massa de ontem na França levou a luta contra Macron a novos patamares. Nos últimos dois meses, o movimento (desencadeado por um novo ataque às pensões) vem se intensificando. Autoridades do governo esperavam que tudo voltasse ao normal no fim de semana, contando com o enfraquecimento do movimento após a manifestação de quinta-feira. Eles estavam errados. Ontem, 3,5 milhões de trabalhadores e jovens inundaram as ruas da maioria das cidades da França, enquanto as greves e protestos assumiam um clima decididamente mais militante.

A aquisição do Credit Suisse (CS) pelo UBS expõe a enorme instabilidade do mercado financeiro global. É uma expressão da podridão do sistema capitalista mundial. Como sempre, quando os banqueiros perdem no jogo, a classe trabalhadora tem que pagar.

O uso pelo governo francês do Artigo 49.3 da constituição para forçar a aprovação das reformas das pensões de Macron sem uma votação parlamentar em 16 de março, marcou um ponto de viragem no desenvolvimento da luta. O “bypass” da Assembleia Nacional é visto, com razão, por grandes camadas da população como um insulto e uma enorme provocação.

O uso do artigo 49.3 pelo governo de Emmanuel Macron, no dia 16 de março, marcou uma virada no desenvolvimento da luta contra a reforma da Previdência na França. Essa aprovação à força na Assembleia Nacional foi vista, com razão, como um insulto e uma provocação a mais – e até demasiada – por amplas camadas da população.

Ontem, pela 11ª vez em dez meses, a primeira-ministra Élisabeth Borne invocou o artigo 49.3 da Constituição francesa para forçar a aprovação da odiada reforma previdenciária de Emmanuel Macron sem votação parlamentar. Isso, porém, não passou despercebido. Nas horas seguintes ao anúncio da primeira-ministra, milhares de pessoas se reuniram na Place de la Concorde, em Paris, para denunciar a manobra. Comícios espontâneos aconteceram em outras cidades.